A história do “Era uma vez…”

Era uma vez uma vez que esperou a vez para poder dizer a si mesma que era a sua vez.
E quando chegou a sua vez não teve coragem para enfrentar a vez que lhe cabia.
E ficou à espera da próxima vez.
E quando ela veio, já a sua vez tinha passado e perguntou-se a si mesma se haveria ainda uma próxima vez.
Há sempre uma próxima vez, disse um filósofo especialista no “estudo lógico das vezes”.

A questão é se na próxima vez, a vez diz e faz o que quer dizer e fazer quando chegar a sua vez. Se toma a vez no momento preciso da sua vez, até mesmo, e se for preciso, antecipando-se à vez do outro. Porque passada a sua vez, é em geral tarde demais. Porque, como o filósofo diz, há sempre uma próxima vez, mas essa vez, se calhar, já deixou de estar ao seu alcance pelo simples facto do padrão estabelecido que é o de: adiar a vez.

E então é bom perguntar-se quantas vezes tem ainda a oportunidade de aproveitar a sua vez?
E a vez perguntou-se, se apesar de toda a insegurança característica nesta história da vez entre as vezes, não seria mesmo bom aproveitar a vez, aqui e agora?

O que é que a vez fará na próxima vez?

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