A história que não contei

Esta é uma história para uma grande amiga:
uma das muitas histórias que não contei.

É a história duma rosa que um dia descobriu o seu perfume.
Queria fazer conhecido o seu perfume
e simultaneamente aprendeu que
quanto mais conhecida era, mais defesas precisava.
Criou espinhos e fortes raízes para ter mais água
e assim ser mais forte, tornar-se diferente,
emanar mais perfume.
E um dia cansou-se dos esforços que fez
e decidiu de repente acabar com a vida.
A estranheza imediatamente a invadiu –
de repente sentiu-se estranha, livre e mais feliz.
Levou certo tempo a descobrir que fizesse o que fizesse
era impossível suicidar-se – pois tinha raízes fortes
para saciar a sede da vida
e espinhos para enfrentar até mesmo os leões.
E, o mais importante,
não era preciso preocupar-se com essas coisas
necessárias para a sobrevivência na vida.
A solução estava à vista –
chegou ao ponto em que nem sequer era ela
a precisar de fazer escolhas.
O perfume está lá aberto ao mundo, em silêncio,
uma rosa aberta à delícia das outras rosas
para aumentar o perfume do mundo.
Que solução?
Quem quer juntar-se ao perfume da rosa para em uníssono,
perfumar ainda mais o perfume do mundo?

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