Como construir a “crise” dentro de si

Como “construir” a crise dentro de si, e como sair dela?

Ultimamente tenho sido abordado, cada vez mais, por pessoas que atingiram o estado completo de ausência de perspetivas.
A “crise “exterior (política, social, económica) parece levar muitas pessoas a criarem uma crise multiplicada dentro delas. A maneira habilidosa como fazem isso é:
– através de uma associação completa com os problemas pessoais;
– tentativa de resolução através do raciocínio (diálogo interno);
– esquecendo o que é significativo para elas na vida.

A vivência contínua dos problemas sociais e económicos recria representações internas de caráter negro acompanhadas de sensações de ansiedade paralisantes de qualquer criatividade. Esta situação é agravada pelo facto de as pessoas terem a ilusão que podem resolver os seus problemas através do diálogo interno e do raciocínio. Na verdade nem sequer há raciocínio mas a repetição automática das mesmas construções cognitivas negativas que por sua vez vão agravar a ansiedade. Para sair desta situação as pessoas procuram vender o corpo e a alma num emprego qualquer esquecendo tudo o que possa justificar a sua razão de existir, o que destrói a motivação, contribui para ainda mais ansiedade e convida à inércia. O stress e a depressão acabam por tomar o domínio total do seu corpo e da sua vida.

Qualquer solução passa por um break, quer dizer, por uma mudança de estado emocional. Para conseguir isso:
– uso todos os meios, incluindo a provocação, para dissociar as pessoas do problema;
– conduzo as pessoas à tomada de consciência de que o pensamento nestas circunstâncias tem um efeito contrário ao desejado;
– aconselho que diminuam drasticamente o tempo de procura e exercício em atividades de sobrevivência;
– faço-as relembrar o que é para elas o seu significado de vida;
– até que me prometam gastarem grande parte do tempo na realização do que é para elas o mais relevante e motivador nas suas vidas.

Mais? Outras ideias?

(Pressuposto básico para que hajam algumas possibilidades de sucesso é que a pessoa aceite que é ela mesma a única responsável pelos seus próprios pensamentos, sensações e comportamentos).

J.F.

4 comentários

  • Verdade! Gostei imenso da rua perspectiva e concordo com ela absolutamente.

    Vera Braz Mendes Responder
  • Bom dia José!

    Excelente reflexão!
    Grato!

    O diálogo interno faz parte do processo de emancipação da realidade externa! O que é que quero dizer com isto? Acredito na bondade e na veracidade do exposto acima mas, acredito também que o processo pode ser descrito de uma outra forma pois ele também a tem. O diálogo interno, também chamado de introspecção pode ser educado. Parar o diálogo interno é bem mais dificil do que educá-lo e excepto em casos de elevado desenvolvimento interior é um “estado” quase impossível de manter por períodos longos. No entanto acredito que a prática regular de meditação ou qualquer actividade lúdica de preferência ligada à natureza funciona como bálsamo interior e ajuda a restabelecer o equilíbrio perdido por força da pressão social e da nossa dificuldade em encontrar alternativas de adaptação mais gratificantes. A pressão social é que pode ser observada e sentida de uma outra forma que permita ao indivíduo uma adaptação menos dolorosa e mais eficaz. Há inúmeras formas de o fazer e todas elas se complementam. Acredito que a meditação, observação plena, mindfulness, etc contribuem significativamente para educar o diálogo interno, embora por vezes sejam apresentadas como forma de o parar, o que, para mim, é também uma forma de nos educarmos, processo infindo e de cuja harmonia depende grandemente o nosso bem estar…
    A técnica de dissociação do “problema” é poderosíssima e muitas pessoas a conhecem e praticam como mecanismo de auto-defesa natural (mesmo sem terem estudado a técnica). Em meditação é também isso que se faz quando nos colocamos na posição de mero observador atento.

    Um abraço,

    Mário

    Mário Russo Responder
  • Inteiramente de acordo com o Mário! Mesmo de forma empírica, há muito que faço uma hora de silêncio por dia. Não vejo televisão, não me meto em confusões evitáveis, aguço os olhos para as flores anónimas que crescem em lugares inóspitos e os ouvidos para os pássaros que ainda cantam. E dou comigo a agradecer todos os dias, em vez de pedinchar…

    carla Responder
  • Mario Ride: ” o todos os meios, incluindo a provocação, para dissociar as pessoas do problema;” – Acrescentaria o humor ou mesmo dissociada a humilhação

    José Figueira: O humor! MUITO bem visto. Um bom humor, no exato momento, dissocia, desbloqueia, cria movimento, abre perspetivas! Obrigado.

    Maria José Pita: Engraçado isto faz-me lembrar qq coisa… só não sei bem o quê

    Daniela Sofia: ressignificar e abrir mão de crenças e preconceitos através do verdadeiro perdão ensinado no “Um Curso em Milagres”. o verdadeiro perdão também é abordado nos livros “E o Universo Desaparecerá” e “Sua Realidade Imortal” de Gary Renard

    Dorinda Andrade: Não há uma receita universal
    Minha experiência vivida na primeira pessoa diz-me: não interfira, não contamine o campo minado do ‘paciente’, apenas pode ser um agente facilitador…

    José Figueira Responder

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