Labirinto

Há alguns anos atrás, numa praça de Amesterdão, presenciei durante duas a três horas uma cena, para mim nessa altura, altamente insólita. Por voltas das 10 da noite, debaixo da lua cheia, um indivíduo traça a giz, no meio da praça, aquilo que me pareceram círculos concêntricos. Durante umas duas a três horas vinha chegando gente que fazia um percurso no círculo e depois seguia naturalmente o seu caminho. Bruxaria em plena Amesterdão, pensei. O incompreensível para mim era também que tanto os “bruxos” e as “bruxas”, como os holandeses que se sentavam no terraço ao meu lado, como os passantes, reagiam como se isto fosse o acontecimento mais natural do dia-a-dia. Coisas da Holanda.

Só ontem, ao fazer o mesmo passeio no “Labirinto” na Quinta da Enxara, percebi o que os holandeses faziam naquela noite do meu passado. O processo é simples: estabeleça um objectivo, faça uma pergunta, tenha uma intenção, coloque um problema, e faça o trajecto no labirinto, com atenção plena no movimento, seguindo a sua intuição até chegar ao centro, que representa aqui o seu “centro” pessoal. Pare então e deixe que surjam naturalmente em si respostas na forma de imagens, sons, palavras, sensações no corpo. Não tente compreender grande coisa, deixe-se envolver naquilo que surgir. Depois, levando essa sensação consigo, faça todo o trajecto de volta.

Não só percebi o que os holandeses faziam, encontrei aqui um processo que nem sequer precisa ser modelado. Despido de todo o esoterismo e construções metafísicas que lhe possam atribuir, o “Labirinto” é a estrutura de inúmeras técnicas da PNL.

Se não vejamos, por exemplo, a “Transformação da História Pessoal”. Faz-se um trajecto à infância como sendo o centro a partir do qual toda a nossa vida é influenciada, colocam-se lá recursos e faz-se o trajecto de volta com esses recursos.

A resolução de problemas de ordem comportamental ou emocional, no modelo das “Partes”, é feita através de um caminho que nos leva ao nosso centro, às intenções atrás de todas as intenções, e daí um trajecto de volta, trazendo a intenção positiva que ressignifica a situação problemática inicial.

Ainda mais evidente é a “Transformação Essencial” em que é feito um trajecto mental até se chegar ao significado último que se manifesta como recurso espiritual e trazemos, no processo de transformação, esse recurso de volta ao ponto de partida.

Flagrante é a técnica de “Alinhamento dos Níveis Neurológicos”. Também aqui se faz, de forma ainda mais explícita, uma viagem ao nível lógico mais elevado em nós, a Espiritualidade, e no caminho de volta traz-se essa sensação última de missão connosco, para reorganizar os níveis inferiores (identidade, valores, convicções, competências, comportamentos).

O “Labirinto”, despido de qualquer característica new age que lhe dêem, poderia assim, sem mais nem menos, ser empregue pois como técnica em PNL. Pressupõe a existência de níveis lógicos superiores de recursos inconscientes a que podemos aceder e trazê-los à superfície para a transformação da nossa vida. A compreensão destas coisas têm-me sido muito favorecida pelos estudos e experiências obtidas através da pragmagia (a modelagem de rituais em PNL) e pelo Panorama Social de que o Panorama Espiritual faz parte.

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