O mapa não é o território

Li, já não sei onde, há muitos anos atrás, uma citação que me ficou na memória, penso que de origem sufi (Rumi?) : “o conhecimento é apenas um ponto, os eruditos o multiplicaram”.

A PNL pode resumir-se num princípio básico: “o mapa não é o território”( Alfred Korzybski, 1879-1950). Porque são precisos então tantos cursos? Tanto texto? Níveis? Prática? Seriam necessários se integrássemos este princípio básico nas nossas vidas e agíssemos a partir deste ponto? Possivelmente não. A questão é que se o princípio é fácil de “perceber”, não é nada fácil de “realizar”. Pressupõe que tudo o que conhecemos e pensamos do mundo e de nós (o nosso mapa de nós e do mundo) é hábito, é familiar, é conhecido. Implica que o verdadeiro território é desconhecido. E a questão é que preferimos agarrarmo-nos ao mapa que aventurarmo-nos no desconhecido.

Já Virginia Satir dizia que o nosso instinto básico não é a sobrevivência, mas sim a necessidade do familiar, do conhecido. Bandler conta uma história de um homem cuja mulher lhe anunciou a sua decisão de divórcio. Ele enforcou-se num armário e deixou um texto: “não posso viver o resto da vida sem ti”.
Instinto de sobrevivência ou medo do desconhecido? Agarrar-se ao mapa ou aventurar-se no território?

(Nos trabalhos do arquitecto argentino Horacio Zabala há uma inspiração directa da dialéctica mapa-territorio. Um exemplo é a instalação de 2007, representada em cima, intitulada “Família numerosa”: 18 cadeiras em círculo refectindo-se num chão de alumínio.)

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