Parábolas sem sentido?

Um grande mestre sufi contava sempre uma parábola no final de cada aula, mas os alunos nem sempre entendiam o seu sentido…

– Mestre – perguntou um deles, certo dia – tu contas-nos contos mas nunca nos explicas o que significam…
– As minhas desculpas – disse o mestre. – Como compensação, deixa-me que te ofereça um belo pêssego.
– Obrigada, mestre – disse o discípulo, comovido.
– Mais ainda: como prova do meu afecto, queria descascar-te o pêssego. Permites que o faça?
– Sim, muito obrigada – disse o discípulo.
– E, já que tenho a faca na mão, não gostarias que eu cortasse em pedaços, para que te seja mais fácil comê-lo?
– Sim, mas não quero abusar da tua generosidade, mestre…
– Não é um abuso; sou eu que me estou a oferecer. Quero apenas agradar-te. Permite-me também que mastigue o pêssego antes de to oferecer…
– Não, mestre! Não gostaria que fizesses isso! – queixou-se o discípulo, surpreendido.

O mestre fez uma pausa e disse:
– Se vos explicasse o sentido de cada conto, seria como dar-vos a comer fruta mastigada.

retirado do livro: “Contos para pensar”- Jorge Bucay – Pergaminho ISBN 972-711-627-2

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