Que programa/trainer escolher

Que programa?

“Que programa seguir? O que é mais adequado para mim neste momento? Que curso devo escolher? Uma Introdução à PNL, um Practitioner, o Panorama Social”?

Qualquer curso de PNL é composto por auto descoberta, desenvolvimento pessoal, estudo do funcionamento da mente e o emprego desse conhecimento para uma melhoria da comunicação e maior eficiência na obtenção de resultados. Mas é óbvio que o nível de conhecimento, os temas abordados e a integração da prática numa introdução ou num practitioner são muito diferentes.

Se se interroga se a PNL pode significar algo na sua vida; se quer saber se o formador é para si o trainer adequado antes de fazer uma escolha para o practitioner; se prefere, por agora, ter só uma ideia da PNL sem grandes preocupações de integração e aplicação; se quer uma resposta imediata e aprender umas técnicas básicas, sem grande preocupação teórica, para aplicar imediatamente na sua vida… então uma Iniciação à PNL de dois dias pode ser uma boa opção.
Estes cursos de introdução não são cursos oficiais reconhecidos nem têm nada a ver oficialmente com níveis. Não são necessários para que se possa fazer um practitioner, mas podem ajudar a tirar maior proveito do practitioner e fornecem imediatamente conhecimentos e ferramentas práticas.

O practitioner pode ser considerado o primeiro nível oficial de PNL e este curso obedece sim a critérios internacionais de conteúdo, duração, domínio de técnicas e integração de princípios. Se quer ter uma visão mais abrangente da PNL, uma transformação positiva global da sua vida e dar os primeiros passos para aumentar a funcionalidade do comportamento num contexto particular ou geral, obedecendo a leis ecológicas e congruência interior, então a melhor decisão é um practitioner. Não pode prosseguir um trajeto em PNL sem o certificado oficial de practitioner.

No master-practitioner exige-se um aprofundamento e consolidação do practitioner. É esperada uma maior integração de conhecimentos, técnicas e pressupostos. Em princípio um master, certificado oficialmente, deve estar em estado de se distinguir no seu comportamento, fabricar novas técnicas a partir da modelagem e, em estado de efetuar intervenções ou desenvolver as suas competências de PNL numa área particular, na saúde, no ensino, nas organizações… (Nalguns países são dados cursos especializados numa área específica, chamados post-master, que não se devem confundir com simples e populares aplicações da PNL. Exigem um conhecimento de uma disciplina a um nível superior e, em geral, uma aprovação especial de uma Associação).

Há ainda o trainerstraining para as pessoas que se queiram especializar no campo das apresentações, formação e ensino.

Para além disso temos toda uma gama de aplicações práticas que utilizam as ferramentas da PNL para fins muito específicos: vendas, liderança, ensino, falar em público e formação para formadores, coaching. Em geral não são cursos oficialmente reconhecidos pelas associações internacionais, à exceção de alguns programas de coaching.

O Panorama Social é a aplicação da PNL a temas sociais e possui instrumentos poderosíssimos de transformação, muito úteis para intervenção em coaching e terapia. Tata de negociações e gestão de conflitos, autoimagem, relações sociais e limitações com origem na história pessoal. Um curso para consultores exige conhecimentos prévios de PNL.

Que trainer ou que instituto?

Haverá cada vez maior oferta de PNL no mercado. “Que trainer escolher então? Em que Instituto me vou inscrever”?

Após as divergências entre os autores da PNL, Bandler e Grinder, e os longos processos jurídicos entre estes mestres, foi decretado pelos tribunais Americano e Inglês (US Superior Court e Engels High Court) que o termo “PNL (Programação Neuro Linguística)” pode ser empregue livremente. Ninguém pode assumir internacionalmente em PNL direitos de autor. Em princípio qualquer pessoa pode pôr uma tabuleta na porta e dar cursos de PNL.
Por isso, torna-se importante ter cuidado extra na escolha de um trainer ou Instituto. Mas a que dar atenção? Que critérios utilizar na escolha?
Seguem-se algumas sugestões que me parecem pertinentes a ter conta numa escolha…

1. Embora os certificados não sejam tudo na vida, é talvez conveniente assegurar-se que no fim do curso, desde que tenha obedecido às normas, receba o seu certificado (se quiser continuar um trajeto em PNL e fazer um curso noutro instituto, em Portugal ou no estrangeiro, precisa do certificado);
2. Conveniente ter, para além do certificado, informação específica das horas de treino e do conteúdo. Informe-se dos  critérios de certificação. Investigue também os critérios do código ético do trainer.
3. Assegure-se de que o certificado tem muitas possibilidades de ser reconhecido por institutos nacionais e/ou internacionais (isto também para o caso de querer continuar os seus estudos no estrangeiro).
4. Investigue a transparência das normas de certificação e exames;
5. Investigue a transparência dos preços, possíveis descontos, sinais para inscrição, etc.;
6. Qual é o grau de credibilidade do trainer ou instituto? Embora tenha sempre um caráter subjetivo, pode investigar isso com pessoas que já fizeram o curso.
7. Certifique-se da organização ou organizações a que o trainer ou Instituto está ligado. Certifique-se concretamente da possibilidade de contacto (pessoas, número de telefone, mail) dessas organizações;
8. O trainer pode ser muito bom trainer, mas é importante que o curso se ajuste às suas necessidades específicas. Os programas podem ser os mesmos, mas cada trainer dá-lhe um acento especial (aplicações, processos pessoais, linguagem corporal, espiritualidade, etc.) Investigue o que caracteriza e distingue este trainer/instituto em relação aos outros trainers e institutos;
9. Investigue se a “pessoa” do trainer se encaixa com a sua pessoa. Como são respondidas as suas perguntas. Mantenha-se crítico sobre a qualidade da informação dada.
10. A certificação em si, ligada a uma Associação, não diz tudo. É que não há uma Associação nacional ou internacional. Há diversas Associações, muitas vezes dentro do mesmo país, e não é estranho se cada uma fizer valer o seu “mapa do mundo” como o verdadeiro.

(Se tiverem mais sugestões, preencham-nas, por favor, como comentário ou envie um mail).

As relações Bandler e Grinder

Grinder no início aprendeu de Bandler. Aplicou terapias em grupo na prática de trabalho terapêutico de grupo do que tinha visto fazer a Bandler na semana anterior. E certamente que Bandler, especialista em matemática e computadores e com interesse por psicologia nunca teria chegado onde chegou sem a contribuição do linguista que foi John Grinder.

Em 1981 o topo mundial na “ciência” e “arte” da comunicação excelente, os tais Bandler e Grinder, não se entendem sobre direitos de autor, o que depois de anos de disputa em tribunal acaba em águas de bacalhau. Tanto o US Superior Court como a Engels High Court, pondo fim à polémica Bandler-Grinder, declaram em 2000 que a PNL e o termo podem ser empregues livremente.

Em princípio toda a gente em todo o mundo pode oferecer a todo o momento, independentemente da sua formação, cursos de Programação NeuroLinguística. Não há direitos de autor. Talvez por isso haja uma necessidade intrínseca nos centros de invocar as chamadas organizações internacionais e, às vezes, até inventar logos para justificar credibilidade e responder à crença generalizada no valor de diplomas embora não sejam mais que papéis selados ou não! No entanto, sobretudo Associações nacionais, dão uma certa segurança na medida em que, pelo menos, controlam (ou deveriam controlar) um mínimo de normas.

Bandler e Grinder não têm outra alternativa senão inventar qualquer coisa nova para justificar a relevância e exclusividade dos seus trabalho. Muitos outros têm colhido os louros. Anthony Robbins, por exemplo, dá à PNL outro nome, comercializa a coisa de tal forma até atingir sessões com 12.000 pessoas e criando um império.
O próprio Bandler inventou o DHE (Design Human Engineering) em que, segundo os críticos, desenvolveu aquilo que já estava presente e é considerado clássico em PNL, sobretudo o trabalho com submodalidades. Para além disso Bandler tem feito muito trabalho baseado na hipnose .
Grinder quis pôr os pontos nos íís e distinguir-se tornando claro o que ele acha que é PNL e o que não é, e criando aquilo a que chamou New Code NLP. Diversos pontos que Grinder aponta no seu trabalho “Whispering in the Wind” com Carmen Bostic St. Clair, parecem na verdade ter tido algum impacto, como a sua visão sobre o que distingue a modelagem em PNL de uma modelagem analítica de caráter universitário como a que Dilts estava fazendo, o papel do inconsciente e a necessidade de neutralizar a mente consciente na transformação, a congruência do pnliano no emprego das técnicas, o acento novamente dado à questão da intenção positiva, o papel das diversas posições percetivas, etc…

Segundo muitos não há grande novidade e praticamente o que tem sido introduzido como novo ou como complemento por Bandler e Grinder tem sido facilmente assimilado sem distinções nos cursos clássicos de PNL. Em qualquer treino e centro no mundo e, pelo que sei, até mesmo em Portugal, as chamadas novidades já estão há muito mais que integradas nos programas regulares. O que mundialmente se admite, pelo que tenho seguido, é que estes chamados novos produtos estão muito longe de ser novos e produzir o impacto que os autores possivelmente desejariam.

Como li algures, podemos resumir assim:
“Bandler e Grinder são como os Beatles depois da separação. É certo que continuavam a produzir novos números mas faltava-lhes a criatividade que tinham quando estavam juntos.”

O certo, no meu entender, é que a a PNL não seria o que é nem se teria desenvolvido como se desenvolveu nem teria tido as perspetivas de crescimento que oferece, sem aquele grupo básico que se dissolveu quando os tais grandes gurus da comunicação excelente Bandler e Grinder se envolveram em disputas pessoais. O que não descredibiliza a excelência do contributo.
Esse grupo básico juntamente com outros continuaram o trabalho e souberam desenvolver toda a potencialidade que os dois génios afinal muito “humanos” tinham produzido. Assim seria impossível falar de PNL sem mencionar, por exemplo, em primeiro e proeminente lugar Robert Dilts e depois, por ordem arbitrária, Tad James (TM, Time Line Therapy), Lucas Derks (Social Panorama), Michael Hall (Neuro-Semantics, Meta-states), John Overdurf (Humanistic Neuro-Linguistic Psychology), Penny Tompkins e James Lawley (Symbolic Moddelling), Steve Andreas, Richard Bolstad, Anné Linden, Connirae Andreas, Joseph O`Connor, Todd Epstein, Robert McDonald, etc., etc., etc.

Que fazer? Afinal que curso seguir?

Lamentamos a forma como institutos por esse mundo às vezes se guerreiam sobre a qualidade dos seus cursos de comunicação excelente. A concorrência tende a aumentar. O sistema de pirâmide com controlo de qualidade praticamente não existe. A anarquia impera. Os logos nos institutos multiplicam-se.

E é talvez esta a característica da PNL: que mil canteiros possam florir!

Um amigo meu põe a questão nestes termos: as ferramentas da PNL são tão fabulosamente ricas, que qualquer formador, mesmo inexperiente e sem conhecimentos de PNL, mas com um mínimo de moral, pode fazer figura e ter sucesso e as pessoas levarão inevitavelmente algo positivo para as suas vidas. Isso pode não se dever a eles mas à excelência do método e das técnicas.

Se a Programação NeuroLinguística tem como fim criar líderes (pelo menos líderes da sua própria vida, pessoas cada vez mais auto responsáveis), então esse processo começa logo com a escolha do trainer onde irá fazer o seu curso.

J.F.

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