Relações Bandler-Grinder e direitos de autor

Grinder no início aprendeu de Bandler. Aplicou terapias em grupo na prática de trabalho terapêutico de grupo do que tinha visto fazer a Bandler na semana anterior. E certamente que Bandler, especialista em matemática e computadores e com interesse por psicologia nunca teria chegado onde chegou sem a contribuição do linguista e ex-agente da CIA que foi John Grinder.

Em 1981 o topo mundial na “ciência” e “arte” da comunicação excelente, os tais Bandler e Grinder, não se entendem sobre direitos de autor, o que depois de anos de disputa em tribunal acaba em águas de bacalhau. Tanto o US Superior Court como a Engels High Court, pondo fim à polémica Bandler-Grinder, declaram em 2000 que a PNL e o termo podem ser empregues livremente:

em princípio toda a gente em todo o mundo, seja sapateiro, cirurgião ou engenheiro, pode oferecer a todo o momento, independentemente da sua formação, cursos de Programação NeuroLinguística sem invocar nem pagar nem se preocupar com direitos de autor (talvez por isso haja uma necessidade intrínseca nos centros de invocar chamadas organizações internacionais para justificar credibilidade e responder à crença generalizada no valor de diplomas embora não sejam mais que papéis selados ou não! No entanto, sobretudo Associações nacionais, dão uma certa segurança na medida em que, pelo menos, controlam um mínimo de normas.)

No seguimento desta história sinto às vezes como cómico ouvir falar de representações internacionais e os próprios autores que consideram a sua PNL como genuína.

Bandler e Grinder não têm então outra alternativa senão inventar qualquer coisa nova para justificar a relevância e exclusividade dos seus trabalho visto que foram outros a colher os louros. Quem colhe os louros é sobretudo um tal Anthony Robbins que lhe dá outro nome, comercializa a coisa de tal forma até atingir sessões com 12.000 pessoas e libertando definitivamente a PNL da terapia e levando-a para todas as áreas da comunicação e sobretudo enchendo o seu próprio bolso de yuppie. (A PNL balanceia entre os fins do movimento cultural dos hyppie e começo da era dos yuppie, o que se vai reflectir no seu desenvolvimento e nos programas oferecidos pelos diversos centros, embora pelo que tenho assistido, muitas vezes os trainers não tenham consciência disso).

Bandler inventou então o DHE (Design Human Engineering) em que, segundo os críticos, desenvolveu aquilo que já estava presente e é considerado clássico em PNL, sobretudo o trabalho com submodalidades. Para além disso Bandler tem feito muito trabalho baseado na hipnose e até nos últimos anos, segundo alguns, intervenções como resultado do trabalho em hipnose teatral de Paul McKenna, uma figura que tem para além disso ajudado e inspirado muita gente.

Grinder, o intelectual, quis pôr os pontos nos íís e distinguir-se tornando claro o que ele acha que é PNL e o que não é, e criando aquilo a que chamou de New Code NLP. Diversos pontos que Grinder aponta no seu trabalho “Whispering in the Wind” com Carmen Bostic St. Clair, parecem na verdade ter tido algum impacto como a sua visão sobre o que distingue a modelagem em PNL duma modelagem analítica de carácter universitário como a que Dilts estava fazendo, o papel do inconsciente e a necessidade de neutralizar a mente consciente na transformação, a congruência do pnliano no emprego das técnicas, o acento novamente dado à questão da intenção positiva, o papel das diversas posições perceptivas, etc…. O que podemos afirmar como seguro é que não há grande novidade e que praticamente o que tem sido introduzido como novo ou como complemento por Bandler e Grinder tem sido facilmente asimilado sem distinções nos cursos clássicos de PNL. Em qualquer training e centro no mundo e, pelo que sei, até mesmo em Portugal, as chanadas novidades já estão há muito mais que integradas nos programas regulares. O que mundialmente se admite, pelo que tenho seguido, é que estes chamados novos produtos estão muito longe de ser novos e produzir o impacto que os autores possivelmente desejariam.

Como li algures, podemos resumir a coisa assim:
“Bandler e Grinder são como os Beatles depois da separação. É certo que continuavam a produzir novos números mas faltava-lhes a criatividade que tinham quando estavam juntos.”

A PNL não seria o que é nem se teria desenvolvido como se desenvolveu nem teria as perspectivas de crescimento que oferece, sem aquele grupo básico que se dissolveu quando os tais grandes gurus da comunicação excelente Bandler e Grinder se envolveram em disputas `egóicas` pessoais. O que não descredibiliza a excelência do contributo.

Esse grupo básico juntamente com outros continuaram o trabalho e souberam desenvolver toda a potencialidade que os dois génios afinal muito “humanos” tinham produzido. Assim seria impossível falar de PNL sem mencionar, por exemplo, em primeiro e proeminente lugar Robert Dilts e depois, por ordem arbitrária, Tad James (TM, Time Line Therapy), Lucas Derks (Social Panorama), Michael Hall (Neuro-Semantics, Meta-states), John Overdurf (Humanistic Neuro-Linguistic Psychology), Penny Tompkins e James Lawley (Symbolic Moddelling), Steve Andreas, Richard Bolstad, Anné Linden, Connirae Andreas, Joseph O`Connor, Todd Epstein, Robert McDonald, etc., etc., etc.

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