Uma brevíssima história da PNL

Aparece no meio dos anos 70, na Califórnia, como resultado da sinergia entre Richard Bandler (especialista em matemática, computadores e estudante de psicologia) e John Grinder (professor de linguística, grande conhecedor da gramática transformacional de Chomsky e da semântica de Korzybski).

Desenvolve-se no seguimento do estudo que fizeram de psicoterapeutas de renome da época. E tudo isso acontece quando os “hippies”, uma parte do movimento da contra cultura dos anos 60, está a chegar ao fim e entram em cena os yuppies, o que faz da PNL uma certa mistura. Por um lado encontram-se tendências como “paz e amor”, “ser verdadeiro”, “si-mesmo”, “contacto com o sentir interior” e “tudo é possível”. Por outro lado o “pragmatismo”, “prestar”, “algibeira cheia” dos seguidores da moda do Young Urban Professional. Cada pnliano e cada instituto move-se numa linha entre estes extremos.

Bandler redigia então, como part-time, textos de workshops e discursos do psicoterapeuta Frits Pearls e é influenciado por ideias como a vivência do aqui e agora, a luta contra os papéis sociais corretos e a tomada de auto responsabilização pelo nosso próprio comportamento. Com base no que via nos vídeos, Bandler começou ele mesmo a experimentar com grupos de colegas estudantes e depois John Grinder fazia o que tinha visto Bandler fazer.

O cocktail Bandler e Grinder produz , entre 70 e 80, os elementos que formarão a base da PNL: a vivência do aqui e agora, os modelos do mundo e as relações da linguagem com a experiência, padrões linguísticos modelados de Virginia Satir (o modelo Meta com as suas omissões, generalizações e distorções) e Milton Erickson (o modelo da linguagem de transe) , o acento na auto responsabilização (primeiro pelo próprio comportamento, mais tarde pelo nosso total modelo do mundo), a modelagem, e um número de técnicas para atingir objetivos. A partir de Virginia Satir, para alem do Meta Modelo de linguagem, desenvolvem o modelo das partes, os aspetos relacionais e o rapport.

Do contacto com Gregory Bateson nasce o conceito da ecologia e o modelo Tote, um modelo para comportamento direcionado a atingir um objetivo. De Milton Erickson, para além do modelo linguístico com o fim de criar a sugestão indireta e das metáforas, vem a ideia de recursos e a calibragem de comportamentos não-verbais como manifestação de experiências internas.

Em 1981 dá-se a grande separação Bandler – Grinder acompanhada de disputas jurídicas. Grinder desenvolve então o que ele chama “Novo Código” em que é dada muita atenção aos aspetos éticos, ao papel dos níveis internos na transformação e na importância enorme das intenções positivas. Novas técnicas juntam-se às antigas, como as posições percetivas, a atenção para a paragem do diálogo interior, o novo emprego das linhas do tempo, etc.
Bandler, por seu lado, desenvolve então o que ele chama de Design Human Engineering e dá uma atenção redobrada à hipnose. Concentra-se sobretudo no papel das sub modalidades.

Nos anos 80 a PNL desenvolve-se muito pelo mundo. Uma segunda geração entrega-se ao estudo, ao seu desenvolvimento e a espalhar a PNL. Surgem por todo o lado institutos. Uma variação enorme tem lugar devido à contribuição de pessoas tão diferentes como Leslie Cameron Bandler, David Gordon, Anthony Robbins, Robert Dilts, Todd Epstein, Stephen Gilligan, Tad James, Steve e Connirae Andreas, etc. Variando entre o mais espiritual e o mais comercial, a PNL sai da terapia e faz a sua entrada em todos os contextos da vida, no ensino, na saúde, no comércio, nas organizações…

Dilts descreve a PNL atual como tendo sido desenvolvida em três gerações. A primeira concentrou-se nos aspetos cognitivos. A segunda nos aspetos somáticos e é então dada muita atenção às convicções, valores e meta programas. O corpo e o inconsciente recebe um lugar mais central. Com a terceira geração entra em cena o conceito do “campo” e dá-se atenção a sistemas mais abrangentes como a família, a organização e a cultura e a aspetos de identidade e missão. Fala-se, às vezes, de campos energéticos e é normal o alinhamento de níveis (neuro)lógicos.

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