Viver a primavera

Sempre fui muito curiosa e sempre me interessou muito o mundo que me rodeava. Lembro-me de ser uma criança que fazia muitas perguntas. Seguia sempre o meu irmão mais velho e brincávamos muitas vezes os dois organizando grandes expedições pelo campo, nos verões que passávamos na aldeia da avó Laura. Desde cedo me interessei pela natureza e mais tarde pela meditação e contemplação. Passava longos períodos a ouvir música meditativa com sons de passarinhos e rios imaginando locais paradisíacos onde me poderia sentir em harmonia com a natureza, onde tudo era bonito e maravilhoso. Mais tarde fui estudar engenharia florestal numa cidade do interior onde descobri como caminhando na natureza, ouvindo e estudando os sons dos pássaros, observando, cheirando e identificando as plantas, seguindo as pegadas de raposas e lobos, poderia sentir todo esse bem-estar que a meditação e a contemplação outrora me traziam…

Hoje em dia está muito em voga o termo Mindfulness ou o conceito de viver no momento presente. E como é óbvio isso interessa-me muito. Com a idade, o acumular de tarefas e responsabilidade, faz-nos muitas vezes mudar o foco de “o que é melhor para nós/o que nos faz sentir bem” para o que é preciso fazer. E a maior parte das vezes não é preciso fazer quase nada! Apenas ouvir um pássaro que canta numa árvore, no meio da cidade, quando saímos do carro para entrar no trabalho. Ou ver uma flor que abre as suas pétalas no jardim ou uma figueira que cresce no telhado de um edifício, onde não era suposto ter condições para tal. E fotografar todos estes pequenos momentos com a melhor máquina fotográfica que temos sempre à mão e disponível, os nossos olhos. Fixar essas imagens no melhor rolo fotográfico, a nossa memória e arquivar esses momentos bons e pacificadores em pastas acessíveis onde com a maior facilidade poderemos obter de novo a sensação que guardamos e alcançar os estados de paz, harmonia e bem-estar guardados, em segundos.

Enquanto escrevo este texto vou-me recordando de uma viagem que fiz, para ver uma árvore monumental na companhia de umas amigas (o maior castanheiro da Europa que vive em aldeia de Guilhafonso, perto da cidade da Guarda). Haverá coisa melhor que descobrir a beleza e as maravilhas que às vezes estão mesmo ao nosso lado, na melhor estação do ano que se aproxima, a estação da renovação e do reflorescimento – a primavera. Experimente fazer caminhadas, Portugal é um país lindíssimo e repleto de riquezas naturais. Deixar a mente fluir enquanto o corpo caminha ao longo de um rio, de uma praia, de uma floresta ou apenas por aí… existem imensos grupos de caminheiros e amantes da natureza que todos os fins-de-semana se organizam para usufruir os momentos presentes e preencher as suas memórias de beleza, harmonia e serenidade. Experimente também! E se o fizesse todos os dias?

Exercício, 30 minutos (mínimo):

Decida sair e passear por um qualquer lugar, sem um objetivo específico, pode ser a sua rua, pode ser um outro local agradável onde se sinta muito bem, confortável e seguro. Enquanto caminha tome total consciência dos seus pensamentos, o que pensa, o que vê, o que sente, o que ouve… foque a sua atenção apenas numa das coisas de cada vez, naquela que a cada momento for a mais agradável. Fique atento ao que o rodeia, pode ser o som de um pássaro, o som do vento nas folhas das árvores, a cor das flores, a sua forma. Maravilhe-se com tudo o que de novo pode vir a aprender ao observar o que o rodeia. De preferência faça o exercício sozinho. Repita todos os dias ou sempre que possível.

Artigo de Carla Silva – Practitioner em PNL

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