A estrela que somos em essência

Segundo Virginia Satir, o ser humano tem a possibilidade de ter três nascimentos ao longo da mesma vida.

Como seres humanos, temos uma busca essencial e intrínseca de completude e felicidade, que nos impulsiona e movimenta na vida para o reencontro do nosso tesouro interior. Nesta busca, o grande desafio é nos tornarmos plenamente humanos, fazendo escolhas e capazes de nos tornar totalmente responsáveis por nossa vida.
Segundo Virginia Satir, uma grande pensadora e terapeuta, que influenciou muitas das correntes de autodesenvolvimento da atualidade, o ser humano tem a possibilidade de ter três nascimentos ao longo da mesma vida.
O primeiro é o momento da concepção, no qual a força da vida, na sua exuberância, manifesta-se e nos tornamos um potencial a se desenvolver. Estamos em processo do vir à luz e deixar brilhar aquilo que, em essência, somos. É o ciclo da semente, que tem o registro da árvore como um todo, mas ainda não saiu de dentro da terra.
O segundo nascimento é quando nascemos do ventre de nossa mãe e temos a primeira experiência do lado de fora do útero. Iniciamos uma trajetória na Terra para encontrar e reencontrar pessoas, aprender, crescer e evoluir.
Temos uma parte que, ao longo dos nossos aprendizados, se mantém integra e imaculada, que nos lembra em diversos momentos que somos um milagre da força vital e que existem recursos para expressar esta natureza. É a nossa voz interior, o nosso Self.
Na jornada de aprendizado que realizamos a partir desta entrada no mundo relacional, muitas coisas acontecem que nos aproximam ou distanciam desta essência.
O grande desafio da evolução nesta dimensão é nos aproximarmos desta essência e nos tornarmos mais plenamente humanos, fazendo escolhas e respondendo às circunstâncias e aos eventos, ao invés de reagirmos a estes. Sendo responsáveis pela vida que recebemos.
O filósofo francês Jean-Paul Sartre escreveu: “Não importa o que fizeram a você, importa o que você faz do que fizeram a você”.
Não podemos alterar o passado, mas conseguimos mudar os efeitos do mesmo sobre nós. Fazer o presente de acordo com as nossas escolhas e desenhar o futuro desejado.
Ao escolhermos ser responsáveis pelas próprias escolhas, temos o marco do terceiro nascimento.
Aprendemos com nossos pais, os primeiros seres humanos que servem de modelo para nossa caminhada na Terra. Muitas coisas que descobrimos com eles são frutos de suas experiências e padrões familiares, que podem ser inclusive disfuncionais.
Portanto, podem ser ressignificados, gerando novos aprendizados que facilitem a expressão real das nossas potencialidades e do brilho interior. Isto é tornar-se plenamente humano, é ser uma pessoa na íntegra. Quando fazemos isso, contribuímos também na espiral de crescimento sistêmico familiar.
É poder viver a experiência de harmonia com corpo, mente, sentimentos, alma e espírito, refletida nas ações de interação consigo e com o outro. A essa experiência damos o nome de congruência, individuação, evolução, etc. Não importa o nome dado, o significado maior é que temos escolhas de buscar a expressão plena de nosso espírito, do nosso Self, ou seja, daquela dimensão dentro de nós que é a manifestação da Força vital.   Neste modelo, afirmamos que os pais são os instrumentos ativadores da vida neste plano, porque a vida em essência já existe. Ela pertence à dimensão da Força Universal e, como tal, se manifesta em múltiplas e variadas formas.   Com os pais, vivemos a experiência de aprendizado nas dimensões do pensar, sentir e fazer, mas temos a capacidade de aprendermos coisas novas e nos transformamos em quem queremos ser, e não apenas em quem devemos ser. Aceitá-los como pessoas que também estão em evolução é um passo na direção da inteireza do ser.   A formatação do que devemos pensar, sentir e fazer é útil para que possamos ter a sensação de pertencimento ao clã, mas também gera a manutenção de padrões familiares, muitas vezes disfuncionais, fidelidades que muitas vezes nos impede de manifestar aquilo que realmente somos.   O processo de discriminação entre o que aprendemos e o que somos possibilita compreendermos e aceitarmos a história, os eventos e os atores envolvidos, de uma forma onde assumimos o protagonismo da nossa vida. É uma jornada de descoberta em direção à estrela que somos em essência.

Artigo de Eunice H. Brito – Psicóloga, Consultora, e Coach

e publicado com sua expressa autorização

 

 

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