Projeto de modelagem no quadro do Master Practitioner

A -Modelagem- Fase Implícita

Motivação- Significado-Ecologia

Resolvi escolher esta competência, porque cozinhar sempre foi para mim, um fascínio, mas não passava de um fascínio virtual!
Não resisto a comprar livros de cozinha, e passo a vida a pedir receitas às minhas amigas, quando como alguma coisa que gosto, mas, a verdade é que pouco ou nada fazia!!!
Quando pensava que tinha que fazer uma refeição, era logo um problema, os meus maxilares cerravam-se e permaneciam numa tensão tremenda. Sempre que podia, evitava dar almoços e jantares só para não passar por esse mal-estar, evitando também, o saudável convívio com a família e amigos.
Sabia que as vantagens em desenvolver esta habilidade me iam levar muito além de um bom prato de comida. A minha confiança e segurança, e a leveza e a descontração com que ia encarar a minha vida na cozinha, só tinham a ganhar. E também (muito importante) era a possibilidade de me proporcionar a mim e aos outros bons momentos de convívio, em boa companhia, estreitando assim e sedimentando relações.
Talvez por isso, o “bichinho” e a admiração por esta competência me foram sempre acompanhando, portanto, resolvi agarrar esta oportunidade da Modelagem, para Sentir, Ser, e Fazer como quem sabe e, assim dar a volta à situação!
E consegui!!!
Vamos ver como:

O Modelo e Assimilações inconscientes

Nada melhor que um Chef de cozinha para me demonstrar este novo prazer que eu queria incluir na minha vida.
Primeiro comecei por observar com todos os meus sentidos, um cozinheiro alemão, Chef do programa 24 kitchen, e aí tive a minha grande surpresa, sobre este nosso grande poder: o de observar verdadeiramente o outro!
Estava maravilhada com a minha abertura ao mundo de sensações e de potencialidades, que acabara de descobrir!
Parecia que havia um íman dentro de mim que atraia do outro uma serie de sensações e informações. Pouco ou nada me escapava, uma palavra, um gesto, um trejeito, uma tonalidade, que noutra situação teriam passado despercebidos, permitiam-me agora, ilações rápidas que iam muito além do que eu via e ouvia!
Só de reviver esses momentos sinto uma sensação de difícil descrição: havia grandeza, havia alegria, confiança, permeabilidade, é como se a dada altura houvesse uma mistura dos 2 e tudo o que eu atraia passasse a fazer parte de mim. Era tão estranho, mas ao mesmo tempo tão claro!!

E foi neste estado de deslumbramento, usando verdadeiramente os meus sentidos e numa entrega total ao momento e ao outro, que pude captar o seguinte:
Os Sistemas de Representação predominantes são o Visual e o Cinestésico (paladar, olfato, tato) o Auditivo também é naturalmente utilizado, no entanto apercebi-me de que o Ad está presente em todas as fases: de estrutura, de preparação de utensílios e ingredientes e nos passos sequenciais da receita. A organização mental é essencial, não só para o conhecimento do passo seguinte como para a eventual necessidade de se efetuarem ajustes de quantidades, de ingredientes etc, aqui o C e o Ad oscilam entre um e outro até encontrarem o resultado perfeito.
O Ad não pode dormir, a receita, sendo idealizada ou não na altura, deve respeitar algumas regras e determinada sequência, contribuindo para um resultado, “Cheio de Beleza”, “Espetacular”, “Fabuloso”,” Impressionante”, porque não há margem para outro !!!!
No entanto se por um lado existem regras, por outro não há o Certo ou Errado, apenas há o jeito, o gosto, o querer de cada um.

O modelo TOTE, ou seja, a forma como o Chef se comporta para atingir o seu objetivo, está presente desde o inicio, comparando o que tem, com o que deseja (T) dai a necessidade de se poderem efetuar vários passos, várias operações (O – acesso aos recursos que podem ser os ingredientes, os utensílios e até os seus próprios recursos internos ou externos) havendo na generalidade dos cozinhados, vários TOTES dentro do grande TOTE inicial, de onde podem surgir, retificações, inovações, criações.
Os olhos semicerram–se para sentir as sensações, no mais fundo do seu ser, permitindo-lhe buscar a inspiração/informação para o ingrediente, quantidade e/ou tempo perfeitos. Quando o que finalmente conseguiu se iguala ao resultado definido (T=T) o Chef dá o seu trabalho por acabado…nesse passo ou fase intermédia (E- iniciando-se um novo TOTE) ou no final da confeção (ultimo E), e agora sim o Chef termina a sua intervenção.

A observação atenta permitiu-me também aperceber-me sobre alguns aspetos relacionados com os seus Níveis Neurológicos:
A sua Missão e Propósito são a de contribuírem para dar Beleza, Cor, Sabor, Prazer e Novidade à Vida e ao Outro
Quanto à sua Identidade, surgiu-me o seguinte:
São pessoas que apreciam, o Belo, trabalham com Paixão e Entusiasmo nesta Arte especifica,
São Generosas, traduzindo esta sua faceta não só na oferta das refeições que confecionam, mas também no conhecimento e na informação que partilham, demonstrando o prazer que têm em disponibilizarem-nas para os Outros.
Confiam nas suas Competências, são altamente Flexíveis, Curiosas, abertas à Novidade e a novas Sensações e Experiencias. Para elas, a rotina tem os dias contados, são Criadoras natas.
Sociáveis, gostam de estar com pessoas, contribuindo para a sua União e Convívio através de encontros à refeição.
Sentem um enorme Prazer no que fazem e sentem-se Merecedoras disso. No entanto, o Outro está sempre presente, é para o outro que é oferecido e partilhado o resultado da sua dedicação e empenho.
São nutridoras por excelência: oferecem e nutrem o mundo de alimento, beleza, arte, novidade.
São pacientes e aceitam os imprevistos com facilidade:” As coisas são o que são”
Lidam com os ingredientes, com extremo Respeito e Carinho, chegando quase a Humaniza-los.
A sua Sensibilidade é orientada para o Belo, estão atentos aos Detalhes e possuem um elevado Sentido Estético.
Gostam do elogio/ Reconhecimento (Referencia externa).
O que as Motiva nesta “tarefa” é de forma indiscutível a Aproximação ao Prazer, fazem-no para si e para os outros.
Também foram evidentes os seguintes Valores: Amor, Família, Amizade, União, Harmonia, Relação.
Acreditam positivamente nas suas Competências, e no Espetacular resultado da sua obra final.
Desta sua Competência constatei que são pessoas, Focadas, Empenhadas, Organizadas, com vontade de Aprender Mais, altamente Criativas.

Pratica em contexto paralelo

Comecei a praticar de forma forçada e consciente, as perceções iniciais da minha observação. Primeiro timidamente, nas mais pequenas coisas, como fazer uma torrada e espalhar sobre ela uma compota, sentindo os aromas, vendo as cores e o brilho, sorrindo saboreando. O mesmo para uma omelete, ou para uma tosta mista.
E o resultado foi espetacular, consegui ver e ter novas sensações.
Inicialmente o meu Ad estava muito ativo:
– Atenção Isabel, não te esqueças disto nem daquilo: olha como…, cheira como…, saboreia como…, sorri…, respira…, abre mais os olhos… ou fecha-os…. para te deixares envolver pelas sensações….
Comparado padrões, as diferenças eram grandes:
-O fácil, para mim era difícil, o rápido, demorado, à certeza do êxito eu colocava duvidas sobre duvidas, ao relaxamento e calma eu sentia rigidez e stress, à alegria e satisfação do momento a sensação era de obrigação e preocupação.
Depois com a prática foi como que um puzzle que se completou, à medida que cada peça (gesto, expressão, olhar, respiração, palavra-dita ou pensada), ao seu ritmo se colocava no seu devido lugar.
Posso dizer que o que mais efeito teve em mim, foi o exercício da respiração e principalmente do Sorriso. Senti que a pratica do sorriso, com uma respiração mais profunda muda tudo. Tornei-os a minha Ancora. É ela que consegue “arrastar” todos os outros sentidos, proporcionando ao momento, a leveza e o prazer que eu procurava.
O sorriso, pacifica-me a postura, tornando os meus músculos faciais relaxados e partindo dai, com a ajuda da inspiração essa sensação invade-me, passa pela cabeça, para o pescoço, ombros e restante corpo. Por outro lado, a inspiração traz consigo os aromas, os sabores, surgindo boas visualizações e pensamentos, a expiração completa o ciclo. Funciona!

B – Fase Explicita e técnica

Fui continuando a praticar e observando outros Chefs, para confirmar e completar as minhas perceções iniciais, fazendo as alterações necessárias até chegar ao seguinte modelo final:

Técnica

1- Selecione a receita ou idealize o prato a confecionar, em função do contexto e para quem se destina:Para si ou para mais alguém? Para um grande ou pequeno grupo? Crianças, adultos? Existem restrições alimentares? (utiliza o S.R. Ad e Cinestésico). Comece a visualizar e a sentir o resultado pretendido-Vi, Ci
2- Palavras de ordem: Delicioso, Simples, Fácil, Rápido – Ci, Ad
3- Limpe e dê espaço à bancada ou mesa de trabalho, de preferência perto do fogão/ forno /lava louça.
4- É importante colocar à mão, os ingredientes e utensílios necessários -Ad
5- Respire fundo, sorria, confiante de que se vai divertir, de que vai sentir boas sensações, e que o resultado final vai ser excecional. Ci
6- Postura descontraída, os movimentos são suaves ou enérgicos consoante a necessidade.
7- Passo a passo siga a receita escrita ou idealizada:
– Os ingredientes são manuseados com respeito e admiração, são quase humanizados.
– Os 5 sentidos estão em alerta permanente ao longo de toda a confeção, mas no final de cada passo, tornam-se mais despertos, para uma mais apurada apreciação (SRs predominantes, Ve, C, Ad):
– Das cores, brilho, aroma, sabor, textura.
– Experimente, Saboreie calmamente e, em simultâneo:
– Semicerre os Olhos, Franza ligeiramente as sobrancelhas, Respire Fundo e Sorria!
– “Huumm” -Deixando-se absorver e abraçando as sensações e beleza que tem à frente… Ve, Ce
8 – “Pronto, Já está!” –Abrir mais um pouco os olhos enquanto respira e Sorri-” E agora Só falta ….” (próximo passo -Ad)
O sorriso suave ou aberto e a respiração calma e profunda são quase uma constante em todo o processo são como que ingredientes presentes e necessários em todas fases.
9 – Vai afastando da zona de trabalho, o resto dos ingredientes e os utensílios que já não vão sendo necessários- Ad
10 – A Exploração das Boas Sensações sensoriais, a Confiança, a Paixão, a Crença da Facilidade e Rapidez contribuem para o inevitável Êxito do resultado final!
11–Até que, Abre ainda mais os Olhos, e com um Sorriso Rasgado, Respiração Profunda, Observa Orgulhosamente a sua obra, (agora finalizada)
– “Que maravilha, que Beleza, Que Delicia, vão ficar Impressionados, vão adorar!!!”
12- Por fim limpe e arrume a cozinha, deixando preparado o espaço, para o próximo momento de prazer.

Aprendizagens:

Fiquei deslumbrada com a Modelagem, descobri outra maneira de olhar. Consegui através da sua forma de comunicar (fisiologia, palavras, tonalidade), sentir o outro com mais profundidade.
Com este exercício, percebi que tudo muda em função do objetivo que temos no momento, (o que é que eu realmente quero? Qual é o meu objetivo?) e fiquei fascinada e surpreendida com o manancial de informação que posso retirar se estiver em modo Nerk, Nerk sem ideias pré-concebidas, sem julgamentos e verdadeiramente desperta e atenta para absorver o que me “chega”. Foi uma forte experiência associada a uma sensação completamente nova e duma alegria imensa.
Foi também através da modelagem que se quebraram algumas dificuldades que ainda existiam em mim quando queria fazer Rapport.
Interessante, foi também dar comigo a aplicar estas aprendizagens e a utilizar a minha mais recente ancora (sorrir e respirar), noutras áreas/tarefas pouco interessantes da minha vida (varrer, limpar… p.ex, ou mesmo noutras mais complexas) e Senti-las e Aceitá-las de forma mais Leve e Prazerosa.
E para finalizar, arrumei o bicho papão dos cozinhados e resolvi inovar e cozinhar o jantar para as amigas da minha filha. E o que aconteceu?
Grande Teste:
– Respirando com calma e descontração, muitos sorrisos e organização e com a certeza de que ia conseguir, passei uma agradável tarde na cozinha:
A carne assada estava deliciosa, o arroz de cenoura super saboroso e a tarte de lima um espanto!!
Adoraram!
Acabo com a seguinte frase:
“Cozinhar não é um serviço. Cozinhar é um modo de amar os outros” – Mia Couto

 

Isabel Sánchez