O Milagre de Hudson

Na última tertúlia que teve lugar na nossa localização no Estoril falámos sobre realização de objetivos, impedimentos e condições de sucesso. Fui para a cama levando inconscientemente uma pergunta que me foi feita na altura e em que nunca tinha pensado. Um instrutor de pilotos da TAP perguntou-me: – Como pode a PNL contribuir na formação para a excelência de um piloto dos transportes aéreos? Gosto das perguntas para as quais não tenho uma resposta na ponta da língua. A meio da noite surgiu-me em mente o espantoso acontecimento conhecido como “O Milagre de Hudson”.

Em janeiro de 2009, alguns minutos após ter descolado do aeroporto LaGuardia em Nova Iorque o Airbus A320 do voo US Airways 1549 atingiu um grupo de gansos resultando numa imediata perda de potência de ambas as turbinas. Na impossibilidade técnica de voltar ao aeroporto de partida ou a outro aeroporto na proximidade, o capitão Chesley Sullenberger III fez uma aterragem de emergência no rio Hudson salvando a vida a 155 passageiros e cinco tripulantes. A história é impressionante, mas do que se trata aqui é do que podemos aprender eventualmente para a formação de pilotos e, sobretudo, tirar lições para a nossa vida.

Partimos em PNL do princípio que o comportamento é o resultado do estado sensorial em que a pessoa se encontra. Num caso destes torna-se fatal quando se entra em pânico e se passa ao piloto automático de luta, fuga, paralisação, desfalecimento, o que neutraliza imediatamente todas as competências, recursos, experiências da pessoa em questão. O capitão e a tripulação mantiveram-se aparentemente “calmos” durante todo o processo. Quando perguntaram ao capitão como se sentiu, deu uma resposta que nos pode fornecer o segredo do sucesso da sua intervenção: dentro de si sentia um turbilhão mas por fora havia calma; nunca sentira na sua vida tal sensação no estômago mas manteve-se naquilo a que chamamos em PNL a sua “zona de excelência”. Encontramos aqui, simultaneamente presentes, dois estados sensoriais. A um nível há ansiedade e, a outro nível, um estado superior de recursos e criatividade (meta estado) em que todo o potencial da pessoa é usado. A famosa terapeuta Virgínia Satir fazia duas perguntas aos seus clientes: – Como se sente e como se sente sobre como se sente? É este meta estado que vai determinar o comportamento. E é aqui que entra em jogo a Programação NeuroLinguística: ajudar no processo de acesso à zona de excelência!

Este processo consiste na investigação, tomada de consciência e, se necessário, transformação de estratégias. Engloba o funcionamento das estruturas do pensamento, investigação e transformação de convicções, tomada de consciência dos nossos valores primários e sua dependência da história pessoal sobretudo de acontecimentos emocionais marcantes na vida, aprendizagem e superação desses momentos emocionais, lidar com contradições internas, criação de congruência na ação a partir de objetivos últimos da vida, etc. Resume-se a um processo em que fundamentalmente não há luta contra aspetos de nós mesmo considerados ineficazes, mas uma gradual vivência de níveis de consciência que transcendem e abarcam aspetos considerados negativos e lhes dão novas perspetivas mais funcionais, de modo a atingirmos, a pouco e pouco, a tal zona de excelência, a melhor versão de nós mesmos.

Chesley Sullenberger atravessou todo esse processo na sua vida profissional. Certamente que o seu nível de competências é enorme: ex-piloto da Força aérea americana, especialista em segurança aérea, presidente e investigador de uma associação de acidentes aéreos, especialista em voos asa-delta, instrutor e mentor, etc. Mas podia possuir tudo isto e as competências não terem funcionado no momento em que eram mais necessárias. Não funcionariam sem a sua inteligência emocional que o eleva a um alto nível de excelência e que certamente adquiriu nos seus 40 anos de experiência e 19.000 horas de voo.

O modelo e as ferramentas da PNL ajudam-nos de forma condensada nesse processo de vivência e utilização de estados de consciência cada vez mais elevados através da formação sistematizada nos cursos de Practitioner e Master Practitioner.

José Figueira, janeiro 2015

1 comentário

  • Professor Figueira , Gostei muito do texto . Obrigado . um abraço .

    Mauro Sidney de Oliveira Responder

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