Projetos de ano novo

O que conduz ao sucesso ou fracasso na realização dos nossos projetos de ano novo? Há condições que facilitam o sucesso de um projeto. Por exemplo, que seja formulado de forma positiva, de tal forma descrito que a sua representação mental seja sensorialmente precisa, que nos ofereça mais ganhos que percas e, sobretudo, que não comecemos logo a perguntar “como” realizá-lo. Os “comos” revelam-se pelo caminho. Ninguém que tenha trazido algo de significativo ao mundo sabia de antemão exatamente como fazê-lo.

O sucesso de um novo projeto depende em grande parte do significado que tem para a pessoa. Satisfaz o nosso “ego” com a sua necessidade de controlo, ambição, reconhecimento ou está ao serviço do “Ser”? Pressuponho aqui a existência de uma construção social de sobrevivência e vaidade (“ego”) e algo verdadeiro em nós (o nosso motor e pura consciência, o “Ser” em si mesmo). Em termos de PNL podemos dizer que o nosso significado último de vida e simultaneamente orientador de todos os nossos projetos reside na nossa visão empática sobre o futuro de um mundo melhor (espiritualidade) e na nossa missão prática pessoal de conexão e contribuição (identidade).

A falha na realização de um projeto pode atribui-se a diversas causas. A pessoa pode não ter uma noção exata do que é importante para ela ou esquece que, por detrás de um significado (valor), há um outro significado maior que não teve em conta. Outra razão tem a ver com os dilemas internos geralmente resultantes da luta entre o “bom eu” e o “mau eu” e em que o “bom eu” representa geralmente o social aceitável e o “mau eu” é, no fim de contas, a expressão do nosso desejo escondido mais sublime. Mais uma outra razão reside nos desgastes resultantes da confusão entre valores opostos: o projeto pretende aparentemente realizar valores como liberdade, amor, reconhecimento, respeito ou, no fundo e, subtilmente, o “ego” luta por evitar a sensação de prisão, desprezo, desconsideração, vazio? Isto resulta numa fonte de desgaste psíquico e a pessoa em questão vai ser confrontada na vida inevitavelmente com o que não quer. Ainda uma última questão é o desconhecimento que muitas pessoas têm das suas preferências psicológicas naturais que as leva a lutar contra elas mesmas acabando por perderem e desistirem dos seus projetos de vida.

Em vez de nos perguntarmos o que queremos “Ser” ou o que fazer para realizar o que “Sou”, formulamos na prática o que queremos “ter”. O problema é que, na maioria das vezes, quanto mais “temos” menos “Somos”.
Possivelmente que o que muitas pessoas desejam é finalmente vivenciar uma plena consciência de Paz interior. E fazem até muitas coisas para a atingir, mesmo sem se darem conscientemente conta disso. Esquecem-se que quanto mais se esforçarem menos Paz terão. Só há uma hipótese: a dissolução do “ego” pois o “ego” é talvez o único fenómeno que nos impede de vivenciar a Paz. O grande problema, e que tem vindo a ser revelado através de gerações, é que quanto mais “fazemos” para desmembrar o “ego” mais o fortalecemos… e menos Paz teremos!

1/1/2015, José Figueira

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