Sobre a duração de um Practitioner

A questão surge-me quando me apercebo da frequência com que as pessoas nos perguntam porque levamos no mínimo 16 dias a dar um Practitioner quando há cursos muito mais curtos. Fará sentido? Há justificação para tais diferenças?

Qual é a diferença entre alimento,  medicamento e veneno?

A resposta a esta pergunta tem tudo a ver com a resposta à primeira: a DOSE!

Na verdade, até algo tão inócuo como a  água  nos pode servir como exemplo. Eu explico: se bebo água todos os dias e na quantidade adequada o meu corpo vai, no que a esse aspeto diz respeito, estar em equilíbrio. Estou a usá-la como um alimento.

Se, por outro lado,  a consumo em quantidades muito pequenas o meu corpo sentirá a sua falta e pode ser que ao fim de algum tempo os meus rins, por exemplo, adoeçam. Nesse momento, se continuo com o mesmo comportamento posso adoecer gravemente. Admitindo que rapidamente vou ao médico, ele vai certamente dizer-me para beber uma quantidade x de água por dia. Neste caso, podemos dizer que a água é um medicamento.

Se, pelo contrário, eu bebo água de uma forma descontrolada – o que pode acontecer por motivos que se prendem com a nossa fisiologia ou com a nossa psicologia – estamos a falar de uma patologia, que como tal, traz prejuízos à minha saúde. Neste caso, podemos dizer que a água está a ser um veneno para mim.

E a duração dos cursos, o que tem a ver com isto?

Tudo! Conseguiria facilmente escrever um texto longuíssimo sobre este paralelo. Mas vou ser breve.

Escolho ir a um curso de PNL pelos mais diversos motivos e, qualquer que escolha (mesmo que seja curto), pode funcionar bem para mim. Se procurava motivação, por exemplo, posso sair de lá muito motivada. Isso é bom. Posso dizer que  usei a PNL como um medicamento. E funcionou. Também pode acontecer que, passado uns tempos, eu precise de “repetir a dose” para ir mantendo aquele estado que tanto desejo.

E, como com um medicamento, eu posso criar uma espécie de dependência, precisar de o tomar regularmente ou de ir aumentando a dose…. e transformá-lo, eu própria, num “veneno”.

Mas eu também posso escolher fazer com a PNL como a maioria de nós faz com a água: usá-la como alimento. E esta é a intenção dos nossos cursos.

Ao aprender de uma forma regular e consistente as ferramentas da PNL, eu vou-me “alimentando” com elas, vou aprendendo a ouvir-me, a sondar-me, a compreender, ver e sentir como funciono, a perceber porque é que me “dói” aqui ou ali e tratar da causa…. e, ao ter tempo para integrar consistentemente tudo isso, eu vou deixar de procurar “medicamentos”.  Porque tomo consciência daquilo que já sabia e não sabia que sabia a respeito de mim própria e então, devidamente alimentada, eu adquiro congruência, estou “saudável” e, por isso mesmo, em condições de dar o meu melhor. A mim e aos outros – seja o meu parceiro, os meus filhos, os meus alunos, a minha equipa….

É como quem diz: quero trazer no bolso um comprimido para a dor de cabeça ou quero aprender a evitá-las?

Artigo da Drª Lurdes Gameiro, farmacêutica e Trainer de PNL