Uma entrevista exclusiva com Judith DeLozier

Com uma energia e bom humor contagiantes, é assim Judith DeLozier. Mas é muito mais do que isto. Aos 69 anos, Judith respira uma humildade ímpar e assume que está na hora de passar a pasta à nova geração da PNL que “tem tanto ou mais para dar que eu.”

Chega pontualmente aos compromissos e apresenta-se a cada pessoa desconhecida. A mãe e avó que um dia foi bailarina, não pratica meditações tradicionais, “a minha energia não permite”, assegura com uma gargalhada. Prefere fazer caminhadas diárias, enquanto passeia os seus cães e diz que “num passo estou aqui, dois passos estou ausente e volto em seguida com mais um passo ao agora”. Ao contrário do seu amigo e colega Robert Dilts, DeLozier não é vegetariana, come de tudo, com moderação e ingere muitos líquidos ao longo do dia, sobretudo água. Quanto à metáfora que a define, não tem dúvidas em afirmar: “sou como uma espiral!”

 

Como se sente quando dizem ser a mãe da Programação NeuroLinguística?

(Risos)

Sinto-me velha…

Bem, na realidade sinto-me muito bem! Eu não estive presente nos momentos iniciais da Programação NeuroLinguística. Podemos dizer, metaforicamente, que existe sempre uma pré-história antes de qualquer história.

Comecei a caminhar na PNL em 1974. Além de mim, estavam presentes a Leslie Cameron, a Mary Mayers e outras pessoas, entre as quais, John Grinder e Richard Bandler, entre outros. Nessa altura, Robert Dilts ainda não fazia parte do grupo, ao contrário do Gilligan, que já frequentava o grupo apesar dos seus 19 anos.

Aproximadamente um ano e meio depois conheci o Robert, também com 19 anos e, portanto, eu sentia-me mais que mãe, talvez até avó.

Posso dizer que isto de ser considerada a mãe da PNL é sentido por mim como uma grande bênção.

 

Foi a Judith quem introduziu o conceito de ecologia na PNL?

Eu não sei se introduzi a ecologia mas acredito que há sempre uma intenção positiva em qualquer comportamento.

A primeira técnica onde realmente percecionámos a verdadeira importância da ecologia foi no Reenquadramento em Seis Passos que desenvolvi com John Grinder. A partir desse momento, o pressuposto da intenção positiva e da importância da ecologia começou a generalizar-se por toda a PNL. Mas não me sinto responsável por ter introduzido a ecologia. O que sinto é que existe uma sabedoria que é essencial ter e algumas pessoas têm mais do que outras. O John Grinder e o Richard Bandler eram definitivamente duas destas pessoas. Eles estavam no sítio certo, na hora certa e souberam aproveitar a oportunidade para lidar e estudar com os gurus da altura. Nos anos 70 os gurus estavam abertos à aprendizagem de miúdos novos. Havia bastante abertura sobretudo por serem também homens, já nós (as mulheres) éramos as típicas “miúdas” dos anos 70!

No entanto, e apesar do caminho nem sempre ter sido fácil, as mulheres tiveram um papel essencial na PNL. Mas, como disse, não sei se me sinto a responsável pela introdução da ecologia na PNL (risos)!

 

Sente-se uma espécie de Guru dentro da PNL?

Não, não necessariamente. Conheço bem as minhas “bandeiras” na PNL.

Tenho contribuído para o conceito de campo, bem como para uma visão mais somática.

O corpo é em si um sistema de representação completo com memória que codifica as informações. As pessoas costumavam tratá-lo mais como um vaso que carrega emoções, ou uma simples embarcação que as transporta. Mas o corpo é muito mais do que uma simples “embarcação” que transporta emoções. O corpo é ele próprio um sistema de representação. Até então, não era honrado como um sistema de representação tal como acontece com o sistema de representação visual, o auditivo digital e o tonal. Esta é definitivamente uma das minhas “bandeiras”.

Em termos de contributo social interesso-me bastante por organizações sem fins lucrativos e pelas pessoas que nelas trabalham como voluntárias, criando espaço para que seja possível chorar e “curar-se”. Em geral, estas pessoas desenvolvem um trabalho extremamente difícil a troco de quase nada ou mesmo nada.

 

Como vê a atual Programação NeuroLinguística?

Tem sido extraordinário ver a evolução da PNL ao longo destes anos, passando pelas três fases e ter tido a sorte de ter feito parte das mesmas, ver como elas se conectam entre si fazendo a atual paisagem da PNL e: eu adoro o que vejo!

Também adoro o facto de a PNL estar a ser aplicada a tantas áreas tais como: liderança, gestão, artes, saúde, educação, desporto e isso é realmente excecional e a prova de que nós podemos alcançar o “Success Factor Modeling” (N.T.: metodologia desenvolvida por Robert e John Dilts que identifica, compreende e aplica os fatores de sucesso críticos que impulsionam e apoiam o sucesso das pessoas e das organizações). Prova ainda que fazemos a diferença, porque somos todos humanos e temos todos o mesmo disco rígido e o mesmo hardware, embora tenhamos descarregado diferentes software! Apesar do diferente software, tudo é possível e a prova é que eu nasci numa pequena cidade, em Oklaoma, com apenas 14 mil habitantes onde eu era apenas uma pequena miúda do campo e mal poderia imaginar que hoje estaria aqui nesta universidade a falar contigo.

É como se fosse magia, tudo é possível!

 

Como é que vê a PNL aplicada à educação?

Penso que a PNL já devia estar mais presente na educação. Há já algumas figuras no mundo a aplicar a PNL especificamente à educação e há até algumas faculdades a ensiná-la como curso universitário, como as universidades da cidade do México e a de Xangai.

Também é incrível percecionar como a PNL se tornou num completo sistema de terapia, como acontece, por exemplo na Áustria, onde são precisos quatro anos para se formar um terapeuta. Portanto, a PNL está entrar na educação e no ensino enquanto objeto de estudo, mas é também uma ótima ferramenta para alavancar o próprio sistema de ensino e é por isso que eu gostava de a ver mais presente na educação. Não ensinem às crianças o que pensar, mas como pensar e se elas aprenderem como pensar, estão então em condições de aprender qualquer outra coisa.

Por outro lado os miúdos são muito cinestésicos, não aprendem por ouvir mas por fazer. Nenhum miúdo ficaria para trás nos objetivos do programa se tivéssemos melhores estratégias para lidar com todos os sistemas de representação. Eu veria esta possibilidade da PNL como um grande benefício no ensino e na educação.

Eu tenho um amigo australiano que vive em Hong Kong onde é conselheiro numa grande escola e desenhou um pacote completo para intervenção e coaching para que, anualmente, todos os professores possam ensiná-lo aos alunos da sexta classe e estes o passem aos restantes alunos e possam, desta forma, transportar este modelo de coaching às classes mais baixas. E este é apenas um tipo de coisas incríveis que se pode fazer com resultados extraordinários.

 

Que mensagem quer passar às mães?

Eu amo-vos Mães! Eu amo todas as mães incluindo a Grande Pachamama.

Amo a Mãe que te trouxe ao mundo e amo a sua Mãe que a trouxe ao mundo e a todos os batimentos cardíacos que são necessários para percorrer todo o caminho de volta lá para trás até à grande Mãe que nos alimenta: a Pachamama.

Esta é a minha mensagem. Eu amo-vos Mães, qualquer que seja o significado desta palavra!

 

Há algo mais que queira partilhar às mães dos nossos dias sobre a PNL e o que ela pode fazer pela edução dos nossos filhos?

Haveria muita coisa para dizer às mães dos nossos dias. Uma das mais importantes é perguntar:

– Que legado é que eu quero deixar quando partir? Pensar no que é que eu estou a ensinar, o que é que eu estou a transmitir. Pensar no tipo de modelo que sou, no tipo de modelo que gostaria de ser. Eu penso que estes são o tipo de perguntas para refletir, não para julgar. Só com o objetivo de saber como é que eu poderia ser melhor, como contribuir para um melhor ambiente à minha volta.

 

Judith, qual é a sua metáfora?

A minha metáfora é a de um “tornado”! Deixa-me dizer isso de maneira diferente… é como uma “espiral”. A espiral corresponde à forma de um tornado, outras vezes é o próprio símbolo do ADN. Corresponde a muitas formas da natureza. A forma da espiral está constantemente presente na natureza e é muito poderosa!

 

Entrevista  em Santa Cruz (California)

 

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